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Eu estava passeando pela Livraria Cultura de Porto Alegre, babando pelos cantos e querendo comprar todos os livros, como minhas filhas que também estavam perambulando pela loja. Aliás, minha esposa tem o mesmo sentimento pelas flores e um dia ela deixou escapar isso abraçada a um maço de flores (não lembro o nome): “Gostaria de ter todas as flores do mundo”. Mas, lá estávamos realizando nossas andanças e pensei em procurar mais uma vez por Kaos. Passei nas prateleiras de filmes e lá estava ele – maravilhoso, novo, lacrado. Quase tive um troço. Vou levar para a videoteca da agência, pensei com meus 12 livros escolhidos nos braços.

Kaos é um dos filmes que amei. Uma verdadeira obra-prima, o filme é uma poesia em vídeo. São 5 pequenas histórias que ocorrem na Sicília [século XIX] em que os mais simples [se é que isso é possível] sentimentos são tratados com arrepios na pele.

Uma mãe que passa a vida esperando pelos filhos que foram para a América e que despreza o filho que ficou. [Tenho certeza de que muita gente vai chorar pela situação, por estar inserido nela.]

Uma mulher descobre que seu marido enlouquece a cada lua cheia. Ela busca proteção na casa de um amigo. Imagine o sentimento que envolve medo e amor no século XIX, pouco saindo da selvageria que era a queimada de bruxas.

Um homem fica preso no jarro de azeite que deveria consertar – uma situação que envolve muito mais do que apenas o ato físico.

A população de uma vila que luta pelo direito de queimar seus mortos.

O escritor Pirandello em conversa com sua mãe sobre algo que sempre quis escrever, mas nunca encontrou as palavras certas.

Respirem fundo e deixem de lado essas merdas de filmes americanos [e seus semelhantes] e prepare-se para serem invadidos por sentimentos profundos. Um filme que amei que é uma aventura de deixar um nó na garganta.

Igor Luchese

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