sm3

O ser humano é um ser social por essência. Para que seja efetivamente social, deve pertencer a alguma sociedade. Esta sociedade é composta por vários grupos sociais. Estes grupos têm perfis distintos, ou regras estabelecidas, sejam elas explícitas ou implícitas.

O ser humano é tão sociável [!?!] que pertence a determinados grupos pelas pessoas que ele acha serem importantes, ou que ele quer impressionar [o que é a mesma coisa].

As regras dos grupos? Isto não interessa, porque o ser humano se adapta. Sendo assim, João está no grupo de Pedro, pois Pedro é um artista e João quer se aproximar de Pedro e impressionar Pedro. Para que isso ocorra, precisa gostar de jazz, mas João só gosta de sertanejo. Entretanto, para impressionar Pedro, começa a escutar jazz. Engole azedo, mas continua, pois quer impressionar Pedro [sim, todo mundo mente].

O comportamento de um adolescente nos momentos em que fica sozinho em comparação a quando fica com seu grupo de amigos é diferente. São atuações muito competentes – tão competentes que ele acredita ser assim. As atuações viram cotidianos na vida dele. O cotidiano vira real e não precisa mais ser ensaiado. Todos somos assim: atores do cotidiano. Todos transformamos nossas mentiras em verdades. A busca pelo real, que deveria ser recompensada, deixa de ser um objetivo que existe para ser uma ilusão. As verdades do cotidiano nos afastaram do real, que se transformou em imaginário – e criou vários eus.

Como descobrir quem eu sou? Interessa descobrir quem eu sou? Para quê? Aliás, para quem? Por que descobrir a verdade que se esconde em uma pessoa? O marketing spider se aproveita da análise para descobrir o indivíduo com e sem máscaras e aproveita a informação para vender para o indivíduo sem máscara e para cada uma das máscaras do indivíduo.

A verdade da mentira proporciona sucesso em vendas em outra dimensão. Enquanto o usual é realizar negócios com indivíduos – com ou sem empresas agregadas –, o spider marketing proporciona a realização de negócios com as máscaras dos indivíduos e das empresas. Com isso, transforma-se a cultura dos indivíduos – e das empresas – para a percepção da dimensão dos negócios, onde a manipulação das realidades é fundamental para descobrir a verdade da mentira e usufruir da valiosa informação que poderá quadruplicar os valores envolvidos em relações comerciais.

O poder econômico usado nos meios de comunicação para determinar ondas de consumo está estabelecido no continuísmo, onde sempre se faz a mesma coisa para perpetuar o suposto gosto pela incompetência na capacidade de produzir inteligência que o ser humano tem – apenas seguindo ondas e todos se encaixando em algumas gavetas: meias dobradas com meias dobradas e camisetas com camisetas.
Igor Luchese