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Por Igor Luchese

As empresas têm sua história carregada de sucessos e traumas, aliás, mais traumas que sucessos. Todas são assim, porque todas se envolvem com problemas humanos [dentro e fora da empresa] e seres humanos são passíveis de mudanças de humor e, consequentemente, de capacidade de efetuar relacionamentos, seja com seus grupos ou com as coisas que os envolvem em suas vidas.

As empresas buscam, incansavelmente, sair de onde estão, pois acreditam que o que está por vir é melhor [isso nos remete ao ditado de que o jardim do vizinho sempre é mais verde]. Nessa busca, algumas pesquisam produto e mercado. A maioria apenas olha o que tem no mercado e copia, pois seus executivos acreditam que copiar é muito melhor [e mais barato] do que criar. São empresas que têm um mercado baseado em preço e não em produto.

Ao copiar faz aquilo que já é feito e, sem sua característica própria, corre o risco de alguém fazer mais barato. Algumas fazem o mais correto, que é buscar sua identidade. Dessa forma, após vários estudos, as empresas encontram o produto que podem fabricar e os mercados que se mostram prontos para consumir.

O produto é estudado em sua construção, em sua usabilidade e em sua apresentação.

A construção conta com o fato de que, em um mundo onde tudo é próximo, os fornecedores podem ser os mesmos que os de qualquer concorrente, entretanto, também poderão ser criados, o que levará os concorrentes ao uso deles no futuro.

A sua usabilidade, em um mundo onde tudo é próximo, é constatada em qualquer lugar do planeta, podendo ser identificada pelas adaptações para as diversas culturas dos grupos sociais. Tendo em vista que as pessoas mentem, a pesquisa deve ser realizada individualmente, sem que haja a identificação com algum grupo social específico, e com muito cuidado na interpretação dos resultados, pois as pessoas têm a característica de ter verdades específicas para cada grupo em que se relacionam. Em A República, Platão se refere a verdades de cada grupo [mentiras] como sendo necessárias para que os homens possam conviver. Já na psicologia, Freud sustenta que a vida seria insuportável caso não mentíssemos e o fazemos para enfrentar a realidade e para atrair a atenção do outro, criando novas versões, ficções e deturpações da realidade que cumprem um papel psíquico para nós mesmos; ou seja, temos verdades para cada grupo social.

A apresentação também segue o mesmo estudo da usabilidade. As culturas de identificação são importantes; entretanto, a apresentação tem detalhes importantes. Em um mundo onde tudo é próximo, os grupos estão cada vez mais distantes. A falsa aproximação leva à necessidade de encontrar cada um dos pedaços da teia que envolve as relações dos seres humanos. Os pontos de cruzamento da teia são muitos, pois cada um representa um grupo social específico, seja o grupo da igreja do final de semana, o grupo de familiares por parte de mãe, ou o grupo de trabalho. Todos eles são parte do universo que habitam, representando apenas segmentos que têm suas características próprias e efetivas no afastamento de quem não pertence ao grupo. Nessas pequenas partes [nesses grupos], cada membro tem outras relações na sociedade, o que seria o mesmo que um ponto com várias ramificações. Uma observação importante é de que as verdades que as pessoas têm para cada grupo social pode ser tanto uma barreira na construção da apresentação, como um roteiro maravilhoso. As preferências individuais são superadas pela verdade do grupo; entretanto, o sucesso do perfil do coletivo do grupo social pode ser também o gerador de insatisfação individual.

No Spider Marketing as ações devem se desenvolver tendo em conta que nenhum dos canais é suficiente para a complexa captura de interesse das pessoas dos grupos específicos. Além de os grupos serem diferentes, deve ser considerado que a personalidade das pessoas modifica conforme o grupo que elas habitam pelo tempo que estão se relacionando com os integrantes de cada um deles. Isso, além de mostrar a futilidade das relações, demonstra o fato de que o ser humano pode se adaptar a qualquer meio com a devida máscara, seja ela para respirar, ou para se esconder.

Os canais de mídia complementam-se na construção do consumidor fiel, algo muito raro, tendo em vista a incapacidade das empresas em produzir algo nesse sentido. Dessa forma, o que percebemos são mensagens fúteis que são substituídas por outras mensagens fúteis. A consequência disso é a falta de seguidores com base de sustentação, mas, sim, fãs instantâneos, assim como a massa: são três minutos, não para cozinhar, mas para perceber, para comentar em seus grupos [com os devidos ajustes culturais], para lembrar. Pouco depois, a mensagem fútil [que em algum momento foi divertida, ou emocionante] será substituída por outra mensagem fútil.

A capacidade de interpretação dos segmentos de uma rede de contatos, e de suas características, é fundamental para conseguir argumentar a ponto de ser identificado de forma mais do que positiva; ou seja, de forma a integrar-se ao ambiente onde está transitando. Cada segmento de rede no Spider Marketing deve ser tecido com o cuidado de que seus nós sejam efetivos na complexidade da interpretação e aceitação de quem habita aquele espaço. As redes devem ter seus segmentos fortalecidos e isso só ocorre com informação correta e coerente.

O ser humano não se esgota em si mesmo, sendo o resultado de seus relacionamentos, muitas vezes sem coerência. O Spider Marketing interpreta o ser humano em seus relacionamentos e é efetivo em suas ações, pois atua na complexidade da teia que envolve a todos.