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Você provavelmente vai ouvir muito falar de Relatos Selvagens como o mais novo filme com Ricardo Darín, o que está longe de estar incorreto. Afinal, o ator está na produção e é o principal nome do cinema latino-americano nos dias de hoje, fazendo muito sucesso no Brasil. Mas a verdade é que o longa é muito mais que isso.

Dirigido por Damián Szifron, o filme é dividido em seis episódios. Todos (sim, todos) são bons. E alguns (pelo menos três) são excepcionais. O longa começa de forma brilhante e empolgante, com um curto episódio passado em um avião. Sobre este não dá para revelar muita coisa sem contar demais, então cabe apenas dizer que é uma história rápida, inteligente, envolvente e com um final extraordinário. Na sequência, nos deparamos com uma jovem funcionária de uma lanchonete de beira de estrada. Ela recebe a visita de um homem que acabou com sua família, mas que não lembra da garota. Temos ainda um episódio sobre dois sujeitos que se encontram no meio da estrada e se desentendem por causa de uma ultrapassagem e outro sobre um pai rico que tenta livrar o filho de ser preso pelo atropelamento de uma mulher grávida.

Darín estrela o conto que possui a pegada mais social, como é costume em sua filmografia. Ele interpreta um cara comum que tem o carro rebocado no dia do aniversário da filha. Ele é obrigado a ir no departamento de trânsito para apanha o veículo e tem que pagar uma taxa. Isso sem falar na multa que chega depois. O episódio lembra bastante Um Dia de Fúria, com Michael Douglas, com o personagem de Darín se revoltando com a burocracia do sistema e sendo levado a um impulso de violência.

Um dos principais méritos de Relatos Selvagens está no fato de não possuir momentos de grandes irregularidades. É difícil um filme com vários episódios não pecar com um ou outro momento mais fraco, mas é o que acontece aqui. Destaca-se ainda a montagem, que foi esperta ao colocar um grande episódio para abrir (o do avião), um ótimo no meio (do Darín) e o melhor de todos no final. O último conto gira em torno de uma festa de casamento, que é muito bem filmada e que conta com uma atuação espetacular de Erica Rivas, que nos remete às mulheres de Pedro Almodóvar. Também é melhor não falar muita coisa deste episódio, mas é brilhante como reúne cenas de drama, romance, tensão, suspense e até gore. Depois de tanta tragédia (embora sempre divertida), o longa termina de forma épica e até mesmo otimista.

Damián Szifron se mostra uma espécie de “Quentin Tarantino argentino”. Não só por utilizar a violência, muitas vezes gráfica, em prol do humor, mas também pelo uso preciso da trilha sonora e do rock na construção do clima. Por sinal, o trabalho do compositor Gustavo Santaolalla é genial. Um filme para rir e se divertir. Muito.

Fonte: Adoro Cinema

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