Jorge e João

Parecia faroeste. Às vezes o vento trazia alguns galhos e a poeira da estrada.
Jorge trabalhava como entregador no armazém de João.
Dona Tereza adorava Jorge e detestava João, que era um ladrão descarado, sempre roubando nos pesos e nas contas rápidas. Ele pensava que ela não via e ela rezava para que Deus fizesse sua justiça. Mas, Dona Tereza, assim como todos na vila, gostava de Jorge e seus olhos fundos. Olhos de um verde claro impressionante. Sempre que Jorge entregava alguma compra, ela pedia para ele ficar e tomar chá. Porém, Jorge agradecia e dizia que não tinha tempo, precisava estar perto de João. Dona Tereza não entendia o porquê. João era muito ruim com Jorge e ele ainda queria estar perto? Definitivamente, ela não entendia.
Jorge voltava sempre correndo para perto de João. Não poderia perder a morte de João. Esse dia seria de muita alegria e ele queria ver com seus próprios olhos verdes fundos.

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