Uma família do início do século – suas estranhezas, ódios, amores, polêmicas e tragédias – é o foco de O Anjo e o Resto de Nós, da escritora gaúcha de Leticia Wierzchoski (A Casa Das Sete Mulheres). O livro é uma saga familiar, onde Leticia acompanha seus personagens através de gerações. “Tenho muito prazer em usar a herança genética”, brinca a autora, que mistura qualidades e espalha defeitos de seus parentes, colocando-os em seus personagens. “A família é um baú de achados,” diz a autora.

O Anjo e o Resto de Nós traz uma narrativa bem humorada e dinâmica, rica em emoção, detalhes, acontecimentos. Leticia prende a atenção até a última linha, criando uma ligação forte entre personagens e leitor. “Sempre me preocupo mais com o personagem do que com a estrutura do romance. Mais com a história do que com a narrativa. Mas é claro que prezo ambas as coisas,” argumenta. E é assim que se descortinam as facetas das irmãs Rosa, Margarida, Gardênia e Violeta. Família iniciada pelo perfumista Apolinário Flores no início do século.

Ao acompanhar as venturas e desventuras de cada uma delas, O ANJO E O RESTO DE NÓS esbarra no realismo fantástico, no qual Leticia se inspira: “Sou fã de Tabajara Ruas e Gabriel García Marquez”. Loucura, estranhamento, assassinatos e até incesto permeiam a trama. Não há tempo para divagações e decisões são tomadas a todo instante. Num ritmo frenético, Leticia junta partos, enforcamentos, amores perdidos e achados. Um livro visceral, com uma grande carga criativa.

Uma leitura gostosa, rica e que leva o leitor a uma viagem de questionamentos, aromas e devaneios.