– Uãããããããã…
Chuáááá…
– Glub, glub, glub…
– Arrouuuuut!
– Ahhhhh!
– Tchau, Juão.
– Tchau, Carlinha.
Lá vai ele pela rua afora, direto para a parada de ônibus. Na volta pararia no bar, para uma cachaça com os amigos. E o pensamento na família.
– Tenhu ondi morá, uma muié qui façu amô as noite im que nun tô cansadu dimais. Treis fio.
Trabaio a sumana, fazêno hora extra, as veiz, pra aumentá u saláriu. Nos domingu, saiu para passiá, quandu nun tem jogo du União, i levu meu radinho di pia, juntinhu du uvido.
– Clanc! João bate ponto todos os dias.
– Vô pra pracinha, deixu os fio brincandu. Mi sintu feliz. Todus tão nu colégiu. A cumida tá garantida. As veiz, quando tem arguma coisa especiar, faço umas hora extra. Antis di í pra casa, passu na bodega e tomo uns gole cos amigu. Nus domingu, quandu possu, dô um dinherinho prôs gurí, pra í nu cinema i di noiti, limpu minha bicicreta. Tá quasi toda paga. Aí, mi lavo todu i vô namorá com a Carlinha.
– Acorda, Juão, vâmu trabaiá, têmo atrasado no servício.
– Tá.

Extraído do livro Desejos Urbanos, de Igor Luchese.