João e Antônio chegam ao restaurante antes delas. Conversam alegres sobre as coisas da vida, quando elas chegam.
– Mas, olha só, mãe, que belo quadro: sogro e genro sentadinhos bem bonitinhos.
As duas sentam e criticam o atendimento, a comi-da, a toalha e o papel do guardanapo. Elas só discordam na intensidade da reclamação. João e Antônio ficam bebendo um pouco de vinho e quase entendendo a necessidade de crítica da mãe e da filha.
– Vamos indo, meu velho? Pergunta Sílvia.
– Não, meu amor, fico com meu genro mais um pouquinho e vamos em seguida.
– Veja se não se atrasam, então. Remenda Rita.
Eles se olham e fica no ar a pergunta do atrasar-se para quê, afinal era domingo e o restaurante estava bem movimentado.
Pedem mais vinho e conversam animadamente até por volta de três da tarde, quando entra Sílvia, falando com o porteiro:
– Ainda não botaram esses caras pra fora? E foi em direção a eles, que ficaram surpresos com a invasão.
– O que foi, Sílvia?
– A Ritinha está lá preocupada que vocês não chegam.
– Mas manda a tua filha se fudê, porra!
Eles olham-se e riem. Antônio mastiga algumas palavras não muito delicadas e sai apressado, seguido por Sílvia que vai explicando os sentimentos da filha. João, calmamente, arrasta os chinelos até a calçada na frente do restaurante, onde fica parado por alguns minutos observando a vida passar e pensando em como tinha ficado diferente.

Extraído do livro Desejos Urbanos, de Igor Luchese.