Um homem que ama é o melhor exemplo que podemos ter de um pateta. Ele engasga. Não tem certeza das coisas. Tropeça. Veste uma camisa e odeia, porque ela parece fazer a barriga crescer (e vocês sabem como é estar neste inferno cheio de gente esculpida). Um homem que ama sabe, apenas olhando nos olhos, quando ela está feliz, porque ela fica mais linda e ilumina o seu mundo. Um homem que ama pensa nela e suspira. Um homem que ama sente-se vazio quando ela não está por perto. Um homem que ama recebe um abraço e sente que o mundo é perfeito. Um homem que ama quer passar a tarde de domingo abraçadinho, olhando o dia passar, observando cada milímetro daquele nariz e brincando com os pelinhos do rosto dela. Um homem que ama busca uma roupa, no guarda-roupa dela, apenas pra lembrar como é bom e hipnotizante aquele cheiro. Um homem que ama faz carinho nos pés e cafuné nos cabelos dela. Um homem que ama sente-se só no mundo, sempre que ela não está. Um homem que ama é massacrado, pois é transformado em objeto de manipulação. Um homem que ama é um tolo feito de manteiga. Lobos maus fazem parte da maioria da preferência nacional. Um homem que ama é algo em extinção. Amor não é mais a base do relacionamento. Um homem que ama chora sozinho, sente um vazio imenso pela não presença de quem ele ama (que muitas vezes não o ama). Um homem que ama sofre em silêncio, porque as mulheres não gostam de homem com sentimen-tos. Um homem que ama já foi esquecido, já foi desprezado e já foi tema de conversa de telefone com o argumento de “não aguento mais aquele cara pendurado no meu pé”. Um homem que ama fica procurando com os olhos para ver se o coração encontra alguém. Em cada esquina pode ser que ela apareça. Um homem que ama fica imaginando o que dizer para ela. Um homem que ama sorri inesperadamente, porque lembrou como é lindo quando ela está alegre. Um homem que ama fica perdido – ele só sabe que quer estar próximo, fazer parte do dia-a-dia dela. Um homem que ama sofre muito, porque não sabe sair da dor.

Extraído do livro Desejos Urbanos, de Igor Luchese.