Às vezes, fico pensando na intensidade da influência da mensagem publicitária, nos dias de hoje. Lógico, não tirando a sua importância quando ela vem com força e carregada de elementos de análise de produto e consumidor. Lógico que não! Estou fazendo referência ao fato de que o mundo está mudando violentamente rápido e a publicidade continua estática na sua estrutura. Aquele mesmo jeitão de quem está vendendo uma determinada marca de uma granja de ovos nos EUA, na década de 50. Isto mesmo, aquela coisa de “senhor e senhora Marrom adoram os ovos do Campo Verde”. Estamos vivenciando uma época em que um estudante de 16 anos sabe mais da vida que o seu professor que só tem 40 anos e mesmo que esteja acompanhado de milhões de “diplomas/medalhas”.

Este mesmo estudante aprende mais do lado de fora da sala de aula do que escutando as experiências limitadíssimas daquele que deveria, em um projeto ideal, ser seu indutor à vida.

E as mensagens publicitárias continuam com aquela coisa de conceito/produto e mensagem. Que tédio!
Não é à toa que o consumo fidelizado esteja deixando de existir. O que eu faço com os meus sessenta dólares? Sei lá. Compra droga. A promessa é fantástica.

Os anúncios estão cada vez mais patéticos. E falo dos bons anúncios. Dos ruins, aquele monte de lixo que é despejado no mercado todos os dias, só me resta ter pena daquele que paga (mas, a esses “trouxas” só resta a esperança de que um dia vejam como estão sendo “roubados”).

As mensagens estão cada vez menos vendedoras e mais “bonitas”, com “bom humor”, “ganhadoras de prêmios de publicitários”. O mundo dos artistas e empresários da comunicação está cada vez mais isolado. Estão fazendo parte da classe Alfa – sem contato com o mundo, todos em uma redoma de vidro. Bom, é evidente que existe uma desculpa para isso e ela se chama conceito.
Aqui estou, domingo à noite, tentando prolongar esse momento de glória, antes que a segunda-feira e o mundo real apareçam. Minha angústia e os meus dedos zapeadores transformam os grandes gênios da comunicação em montes de nada. As imagens, piadinhas, sacadas, os jogos de palavras e toda aquela cultura pseudo-científica que o capitalismo criou vão pelo esgoto, pois chegam a apenas a dois de seus destinos – os olhos do universo que pagou o anúncio e os olhos do universo que fez o anúncio. Os consumidores, seu principal alvo, tem sido pouco atingidos. Que pena. Quanta energia e dinheiro jogados fora.

Com certeza, se os “entendidos” das leis de mercado fizessem um trabalho melhor, a economia do investimento publicitário eliminaria a fome do mundo.

O efeito da droga, que tu compraste com os sessenta dólares, já passou? Pois é, igual ao efeito pós-consumo. Passou o êxtase. Veio a ressaca – a promessa era muito maior e não valia à pena ter comprado. Aí, vem a pergunta – como sair disso tudo? É quase impossível. Compre novamente, quem sabe o êxtase seja melhor desta vez.

Igor Luchese

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